O que ocorlogocc2.jpgre na sala de projeção é algo fantástico: A audiência reflete fielmente a tensão provocada pelo longa. São 100 minutos de respiração descompassada. O filme difere bastante dos anteriores mas dá o desfecho da franquia de uma forma competente. Se existiram cerca de 6 cenas em X2 que todos saem do cinema comentando (Como a abertura com Noturno, a fuga de Magneto da prisão ou a fuga do Falcão Negro), em X3 isso não ocorre.

Mas não por falta de boas cenas, na verdade acontece pelo motivo oposto. O filme é cheio de cenas do gênero: Grandiosas. O que justifica que o orçamento do filme seja semelhante ao faturamento total do primeiro filme da franquia nos EUA. A questão emocional que acomete os personagens quanto à cura e quanto à ameaça da Fênix ou da Irmandade é sentida pela audiência, o que é um feito. Como todo filme, há problemas sim. A edição de som, por exemplo, ficou mais para ‘Demolidor’ do que para os outros ‘X-men’. As cenas de vôos só são melhoradas quanto ao personagem Anjo, porque os outros continuam mais planando do que alçando os vôos livres dos desenhos animados. Porém isso não tira o brilho da produção.877133x-men-3-the-last-stand-posters.jpg

O pior inimigo do filme é o tempo. E um dos maiores incômodos, também. O filme, ao contrário de X2, é muito rápido e a velocidade das informações chega a causar certa indigestão. Isso porque com tantas cenas gigantemente produzidas ou carregadas de significado em um ritmo frenético, o filme resume em 1h40 o que, julgando pelo passado da franquia, deveria ser contado em 3 horas. Isso é o que incomoda. Você sai da sala de cinema precisando de um tempo para digerir tudo. Talvez só o faça após uma segunda conferida. A sensação que dá é que o filme tende à perfeição mas falta algo. Esse ‘falta algo’ é justamente a sensação de fãs que o filme poderia ser melhor. E isso acontecerá sempre, em qualquer franquia. Quem naõ é fã sai do cinema com a idéia de ter visto um ótimo filme ‘impaciente’ e que correu para um intrigante fim (ainda que previsível). Os desafortunados fãs que ainda acreditam em adaptações completamente fiéis às idéias originais de seus autores, com direito a collant amarelo, talvez não tenham entendido o significado da palavra ‘adaptação’. X3 conta com uma fotografia superior, com melhores participações do elenco, maior dramaticidade e com ctz tomadas melhor trabalhadas.

Quem não reconhece o valor de Halle Berry para o filme ou não entende o porque a Fênix se revela de forma mais humana, realmente naõ entrou na atmosfera criada desde o início por Singer, que é de humanizar ao máximo os mutantes. O filme é tocante, contando com aspectos filosóficos que incomodam (como toda boa Filosofia) e tem cenas que emocionam quando revistas (como a cena da família de Bobby Drake em X2), além de cenas de ação que não deixam a desejar em momento algum. Nem mesmo a cena do mutante Fera deixa a desejar a célebre sequência de Noturno. As implicações políticas e sociais propostas são inteligentes e realistas. O filme é uma produção em que a todo momento deixa claro para onde foram mais de 150 milhões (e o pq)… O filme é um sucesso potencial, desagradará sim a fãs que não se contentam com frases do gênero “Minha Santa Aquerupita” mas agradam (e muito) ao grande público e até à crítica. O real sucesso do longa vai depender muito mais da propaganda boca a boca do que realmente pelo impacto visual das grandes cidades. Portanto, pessoas que sentem prazer em divulgar os desfechos do filme em comunidades e não recomendar o filme, o fazem por defender outro blockbuster, por não ter coisa melhor para fazer ou por não entender que tratamos de um cinema comercial como outro qualquer. Espero que esse seja um dos pontapés iniciais que façam com que a ‘boa publicidade’ e a compreensão do filme sejam consideradas por fãs e afins a partir da sexta-próxima.