recomendado.jpgMeses de espera e milhões de teasers na internet e o absurdo recorde orçamentário de 300 milhões de dólares depois, finalmente nos é apresentado o Emo-Aranha, ou melhor, Homem-Aranha 3, consagrado pelos mais fiéis à saga do aracnídeo. Na verdade, é difícil fazer um resumo prático da história proposta pelo roteiro de Alvin Sargent para a terceira aventura de Peter Parker (Tobey Maguire).

             É mais ou menos o seguinte: Harry-Doende-Osborn (James Franco) ataca o Homem-Aranha sedento por vingança da morte de seu pai, o separa de sua amada Mary Jane (Kirsten Dunst), justo quando ele ia pedi-la em casamento, ao mesmo tempo em que o assassino de seu tio foge da prisão e tenta mata-lo e, ainda, todos observam transformações bizarras de uma substância vinda do espaço quando em contato com seus ‘hospedeiros’ (que inclui o Aranha). É… Cansou!? Pois bem, muitos também o fizeram…homem-aranha-poster-02.jpg

            O excesso de personagens e histórias acabou por desmerecer muito do drama semi-adulto que ronda as histórias de Peter Parker, além de alguns personagens (J. Jameson tem seu papel reduzido a míseras linhas e sua secretária causa mais lembranças no público do que o mesmo). Os imensos 140 minutos de projeção não foram suficientes para um bom desenvolvimento de todas as idéias da trama (problema já enfrentado por X-Men 3, em um nível ainda mais preocupante).

            O que transparece é que o Universo Marvel é tão extenso que querem fazer tudo o mais rápido possível. Meses a frente, poderemos ver o Surfista Prateado como convidado mais que especial no segundo longa do Quarteto Fantástico, unindo dois mundos que ainda nem começaram a ser devidamente trabalhados junto ao público!

            Espetáculo visual à parte, Homem-Aranha abusa das cenas de ação intermináveis, com projeções que chegam próximas aos quinze minutos e contando com quedas infinitas (que parecem ser de 300 andares) para apresentar aos telespectadores o maior primor de efeitos especiais da atualidade. É isso ou por pura falta de consistência de roteiro. Som e edição muito seguros, contando inclusive com uma variação do clássico tema do ‘homem-aranha’ do século passado.

            No terceiro episódio da saga, deixamos de lado o caráter mais realista que se tentou empregar no personagem e contemplamos uma história em quadrinhos que não deixa a desejar ao recente 300. Conseguimos observar, dessa vez, um maior número de recortes de croma, além de falhas de roteiro (como um medalhão que parece funcionar como um GPS do Homem-Areia(Thomas Haden Church)!). Ainda assim, nada tira o charme que envolveu toda a produção de Sam Raimi.homem-aranha-poster-01.jpg

            Nascido já para se tornar sucesso de bilheteria, o Homem-Aranha 3 supera seu anterior, mas deixa a desejar no quesito evolução quanto à primeira obra, diferente de seu irmão X-Men: O Confronto Final, do qual também claramente absorve a metodologia de se fazer abertura/letreiros. Contudo, o ‘uau’ que envolveu a primeira produção atrapalha o terceiro filme, que lida com altas espectativas e diversos litros de lágrimas.

            Engraçado, bem produzido, visualmente saboroso, o Homem-Aranha 3 supera a linha de espectadores em que se enquadram apenas os fãs e promete diversão para todos os públicos. Diversão, não admiração ou excitação extrema como as grandes produções da Marvel já citadas. Elemento para assistir com a imaginação aberta e a tolerância em ponto morto para os clichês americanos, assim, funciona mais que o que é apresentado naturalmente.              Obs. O título ‘emo-aranha’ é uma surpresa que só quem assistiu entende, resultado de gargalhadas maldosas durante a exibição do longa. Boa sessão! 

“Você é um ladrão! E pode até ter matado um homem!”

“Não foi assim que aconteceu… É a verdade!”

“A única verdade que eu conheço é uma verdade maior que está naquele quarto, sem saúde e que espera o pai bandido!”