IndicadoAoOscar.jpg            As longas e bem aproveitadas duas horas e meia de Denzel Washington vivendo o traficante Frank Lucas são válidas e bem produzidas. Após obras de gosto duvidoso como Um Bom Ano ou Cruzada, Ridley Scott volta à velha forma do biênio 2000-2001 (dentre outras, dirigiu Gladiador) e apresenta a história verídica de Lucas em um filme compassado e bem trabalhado, sem firulas ou apelos cômicos relevantes, deixando de lado até mesmo a preocupação com faixas etárias da obra.
            Em uma versão superproduzida e gabaritada que inspira obras como Meu americangangster.jpgNome Não é Johnny, American Gangster alavanca as bilheterias mundiais, com direito ao primeiro lugar nos EUA, ao mesmo tempo em que emplaca indicações no Oscar. O produto final é ainda estrelado por Russell Crowe e leva a assinatura do competente e ‘oscarizado’ Steven Zaillan no roteiro.
            Frank Lucas é motorista de um grande Gangster, por quem nutre admiração. Com ele, aprende o que se deve saber para gerir uma rede de tráfico além das máfias italianas no fim da década de 60. Após a morte do mesmo, Lucas toma seu lugar, importando heroína de Bancoc e vendendo-a nos Estados Unidos com uma pureza muito maior pela metade do preço praticado na época, construindo um reino próprio. Em seu encalço, está o incorruptível detetive Richie Roberts (Crowe), que tenta desmascarar seu esquema, que utiliza, inclusive, soldados americanos que voltam da Guerra do Vietnã como transportadores.
            A história é simples e, talvez, conhecida, mas o modo como é contada impressiona, incluindo a opção de não pintar Lucas como um homem legal e piedoso, mas um ser distinto pessoal e profissionalmente, capaz de ser carinhoso em casa, mas cruel com inimigos. A bela atuação de Washington rendeu mais uma indicação do filme ao Globo de Ouro. Poucos são os que saem das salas de exibição com a sensação que a obra possa ter ‘mudado sua vida’ ou entrado para sua lista de favoritos, mas menos ainda são os que podem dizer que desgostaram do produto apresentado. Entretenimento certo.

“A ‘Mágica Azul’ é uma marca, entendeu? Registrada, valorizada. Como Pepsi. Você não pode pegar meu produto, diluir e sair vendendo por aí como se fosse original, isso é roubo, você está seguindo?”
“Olha, cara, você não pode chegar aqui e falar assim comigo no meu lugar…”
“Eu falo com você do jeito que eu quiser e você vai fazer o que eu digo, ‘Mágica Vermelha’, o caralho, mas não use minha marca…”