É MELHOR MORRER DO QUE PERDER A VIDA

 

           Helvécio Hatton aposta no tema “Ditadura Militar” para ganhar as telonas. E isso é completamente explicável, visto que o cineasta participou ativamente da luta armada contra a ditadura militar. E foi um dos que fizeram parte da estatística de refugiados da década de 70.

           Batismo de Sangue (2006) é um daqueles filmes pretensiosos que conta a história da luta armada sob um único ângulo. Sob os olhos dos que participaram diretamente do processo. Nesse caso, os Padres Dominicanos são os protagonistas. Esse é o diferencial do filme.

           Padres que usavam a batina para mascarar a participação na luta clandestina ao lado de grupos guerrilheiros. Impulsionados pelos ideais da igreja: igualdade e compaixão entre as pessoas, eles acabam apoiando o líder do grupo guerrilheiro Aliança Nacional Libertadora, Carlos Marighella que acaba morto em uma emboscada. Aprisionados, torturados e exilados, muitos acabam mentalmente destruídos e não suportam mais viver sob todas as lembranças da tortura. O remédio é o suicídio. E a igreja permite?

           Atuações forçadas e limitadas, o que se sugere falta de intimidade dos atores com o papel designado a cada um deles. Cássio Gabus Mendes (Fleury), se mostra caricato e um tanto forçado no papel. Mas isso é mínimo. Caio Blatt e Daniel de Oliveira, Frei Tito e Frei Betto, respectivamente, mostram-se contidos mas, apesar de ser um pecado, não chega a estragar o andamento do filme. Não como as cenas desnecessárias. Não como a cena da ceia na prisão. Jejum e oração. Deus nos abençoe e nos livre de homens maus, amém.

           O mais difícil nesse filme é falar mal da ambientação e do figurino. Sem falar na fotografia de Lauro Escorel que causa impacto logo de início. A cada cena revive a realidade de forma magistral. Mas, o tema “Ditadura” não é bem explorado e isso acaba cansando o expectador. O resto é uma seqüência de imagens dos padres presos ou sendo julgados. E a angustia de um padre que não consegue livrar-se do terror de ter sido torturado durante três dias consecutivos (o quase batismo de sangue) pelo delegado Fleury, o papa. Seu eterno torturador.

           Apesar de tudo, temos alguns bons motivos para prestar atenção na tela e nos deliciarmos com belas imagens. As primeiras cenas desse filme, de alguma forma, nos fazem criar uma certa expectativa quanto ao seu desenvolvimento. Mas enquanto filme político (1964 – 1985), está longe de ser “muito bom”. 

“Tudo nasce da ação”

“Como conscientizar o povo?”

“Os lírios já não crescem em nossos campos”