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Algumas Considerações Importantes… 

          A prostituição é um tema que traz controvérsias quando se questiona o fato de, a mesma, ser legaliza como profissão ou não. É o tema abordado e muito bem intencionado nesse filme. Mas não é a questão da legalização (ou não) da prostituição, e sim as formas de se manter como “profissional do sexo”. Sob a direção (e roteiro) de Fernando León de Aranoa, Princesas faz suscitar vários questionamentos à sociedade. Primeiro, se a legalização faria com que a profissão fosse dignificada, então por que ainda esse ‘certo’ tabu em relação a um tema tão corrente entre nós? Segundo, se com a legalização as mulheres seriam menos exploradas ou menos discriminadas. uma ala defende a legalização da mesma em comparação com uma segunda que conclama a prostituição como degradante e vil aos olhos da sociedade. São só questionamentos. E é tudo muito natural.

princesas-poster01.jpg          Bom, o filme Princesas não aprofunda ‘temas’: ele dá a consciência aos expectadores e estes devem analisar  cada questão. A condição da mulher como profissional do sexo, a clandestinidade do processo, a submissão aos negócios e negociadores que as maltratam e as exploram sexualmente. E o filme vem mostrar que a discriminação se estende em meio a sociedade em que a discriminação racial se faz presente de forma mais consistente (mas isso não é novidade) – embora seja mostrado de forma sutil – e um certo receio por parte da prostituta em se mostrar à família com medo de represálias além de perder o afeto e o apoio maternal. Mostra que há o sonho de constituir uma família e que o ‘trabalho’ é para sobreviver no mundo desesperador em que elas vivem.

          Umas se prostituem por motivos fortes – sustento de um filho, por exemplo – outras, por motivos banais.  Isso se faz claro quando a personagem Caye (Candela Peña) diz para as amigas que está prostituindo-se para juntar  dinheiro para pôr uma prótese nos seios (“é temporário”, diz). Em um outro momento Caye sente falta de alguém (um namorado) que a pegue no trabalho – imagina-se num trabalho digno – e expresse sentimento por ela. Ao longo da projeção o expectador só observa tentativas de proximidade. Tentativas de conquistar afeto de alguém que não precise ‘cobrar’ para deitar-se. Ou para vender-se ou prestar serviços sexuais. Todas as expectativas são frustradas.

          Outra questão importante e que merece atenção, é a da imigração e da ilegalidade por parte de muitas mulheres. Como é o caso de Zulema (Micaela Nevárez) que vem da República Dominicana e entra ilegal na Espanha para prostituir-se. Como outras mulheres, Zulema vem com a promessa  – de uma espécie de ‘traficante’ ou ‘facilitador’ de documentos – de que vai conseguir os documentos necessários para permanecer no país (Espanha). Mas são apenas ‘tentativas’ porque a prostituta está sendo o tempo todo ameaçada pelo ‘facilitador’. Zulema é apenas uma das muitas mulheres da República Dominicana que fazem ‘ponto’ nas praças durante o dia e a noite.

            “Princesas” é um filme singelo. Que aborda a prostituição da forma mais natural possível e que tem uma produção competente. Alguns podem questionar como um tema como esses não foi explorado como deveria. A justificativa é comparativa: os filmes brasileiros avançariam mais na questão. Mas não, essa não era a ou não é a proposta de Princesas. O que se quer (e foi conseguido) é levantar questionamentos dentro da sociedade. Ou questionamentos à sociedade. Isso já faz o filme ser ‘grande’.

          Ganhador de três prêmios no Goya, nas categorias de Melhor Atriz (Candela Peña), Melhor Revelação Feminina (Micaela Nevárez) e Melhor Canção Original (“Me Llaman Calle”). 

“Completo é 100” 

“quarenta e cinco… Qual o tamanho?” 

“Existimos porque alguém pensa em nós, e não o contrário”