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UM HUMOR RELAXANTE 

cultrecomenda.jpg          Um filme que tem um certo ‘encanto’. Mas não é um daqueles que ficam na memória. É um filme que deixa o espectador com um sorriso nos lábios dependendo, claro, do estado de humor do mesmo. Se há uma certa sensibilidade a artificialidades, se há uma necessidade de assistir a um filme leve com um delicado toque de calmaria e uma poltrona afastada dos burburinhos do cinema e bem pertinho da tela grande, o filme deve fazer bem. Vê-se ao longo da projeção que há uma tentativa de explorar conflitos, mas que esses conflitos não saem da superfície. Esse não aprofundamento é que deixa o filme quase como um daqueles que não cumprem o que prometem. 

         A partir da análise, parte-se do pressuposto de que nenhum dos personagens, que faz parte do enredo como ‘principais’, estão contentes com a vida que levam. E que o que representam para a sociedade é apenas um indício de que não estão fazendo seu ‘papel’ de forma competente. Não estão conduzindo suas vidas como deveriam. Mas em que momento se pode conduzir a vida? Esses personagens estão à beira. Entre o que fazem e o que realmente sentem. Entre ‘o que se quer e o que se tem’. E a decisão que vão tomar é que determina a ‘felicidade’ de cada um. A ligação entre as partes se dá sem um propósito claro. A ligação entre os personagens e cenários é frágil. As idéias são conduzidas sem um alinhavo dos momentos e definições que se apresentam construindo os passos do longa-metragem. 

lugar-na-plateia-poster04.jpg         A sofisticação do cenário, as cores bem escolhidas e a idéia de grandeza que o filme passa ao espectador logo de início é só um ensaio pouco consistente do que o filme não consegue manter ao longo de desenvolvimento. Artístico, reflexivo e emotivo – um humor relaxante – e com uma aparência de um grande filme de análise psicológica, mas é só aparência… 

         A princípio cria-se a idéia de que o quadrado-problema, será analisado de forma consistente e que as crises existenciais serão bem exploradas. Que o espectador será ‘tocado’ de sentimento pelos conflitos existenciais de cada personagem e de cada cenário avaliado. Mas não, a idéia se desfaz à medida que só observamos pequenos descontroles e ensaios de ‘eu estou com um grande problema e preciso dar uma solução para eles’. E assim segue a narrativa não brilhante, mas com um tom que agrada aos mais tensos.

          Esse filme é mais direto e de uma beleza-painel que engrandece, de certa forma, o desenvolvimento do longa. E as cenas são mais movimentadas – não há o que esconder. A direção de arte deve ter se orgulhado de ver o resultado das escolhas dos quadros, esculturas e tudo o mais que completa os atos. Um cenário belo, uma música instigante e uma fotografia plausível para fazer valer o espaço de ação. 

          “Como não tinha condições de me manter no luxo, resolvi viver no meio dele”. Uma frase solta? Não, apenas uma síntese do que é o filme. Ou, pelo menos, grande parte dele. Um Lugar na Platéia (Fauteuils d’orchestre,França 2006), dirigido por Danièle Thompson, conta a história – pelo menos tenta – de um pianista, uma garçonete, um colecionador de obras de arte e uma atriz. Todos com algum tipo de insatisfação. Ou à procura de algo que os completem. Jessica (Cécile de France, muito bem no filme), é uma jovem que está à procura de emprego. Chegando na cidade consegue um emprego de garçonete em um dos cafés mais movimentados da cidade. Nesses lugar, ela acaba por conhecer vários artistas e é nesse espaço que ela acaba por conhecer e presenciar discussões as mais diversas. Mas nada de grandioso acontece dentro do filme. Jessica é só uma porta, os outros personagens são a casa e os demais móveis que decoram um ambiente em desenvolvimento. Só que dentro desse ambiente, há inúmeras peças faltando. Assim é o filme, um lugar na platéia…