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Fora do tom 

Por George Carvalho 

teatrologo.jpg          O texto de Michel de Ghelderode trata da aventura de três cegos a caminho de Roma, onde esperam ser agraciados com um milagre do Papa que lhes trará a visão. No caminho, alguns percalços alertados por um caolho que é ignorado pelos viajantes e até caçoado por eles. Os cegos foi montado pela Confraria Cênicas, sob a direção de Sebastião Simão Filho, explorando o diálogo em forma de ladainha e cantos prolongados que deixaram a peça demasiadamente enfadonha.

           A iluminação explora os tons azul e vermelho, além do recurso de luz e sombra – não tão bem executado, diga-se en passant. E mesmo a contribuição de tal efeito para a montagem como um todo, também parece ser bastante questionável. A maquiagem é primorosa e a sonoplastia cumpre bem o seu papel, ambas assinadas por Lupércio Kallabar.  

os_cegos.jpg          Por sua vez, a interpretação fica comprometida pelo tom escolhido na condução do espetáculo. Gabriel Nery se destaca no papel do caolho. O cenário se compõe de uma árvore, localizada mais ao canto, e um pano branco onde o jogo luz x sombra acontece. 

           Apesar de curta, a peça parece se arrastar por horas. O conflito não se sobressai à morosidade da encenação e acaba por não conquistar o espectador. O próprio texto é bastante difícil de ser levado ao palco e a forma como foi explorado parece não ter encontrado o tom certo para fazê-lo. 

            A beleza estética do espetáculo é inquestionável nos trabalhos de iluminação, figurino e maquiagem. No entanto, faltou um pouco mais de criatividade para cativar o público, que chega a se entediar com as marcações repetidas e as falas prolongadas. 

           Ainda assim, a montagem fez nove apresentações no Canal das Artes, em Recife, entre os meses de agosto e setembro. Além disso, foi convidado para se apresentar na mostra paralela do 19º Festival de Teatro Estudantil do Agreste (Feteag 2007), em outubro.