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Para passar o tempo…

 

 

Por George Carvalho

 

teatrologo.jpg          Dez pequenas cenas ambientadas num luxuoso toalete feminino. Texto e personagens que trilham um caminho de fácil acesso ao público. Uma solteirona evangélica, homossexuais, empresárias, peruas, modelos, prostitutas e até um casal de noivos – com direito a sogra e ex-namorada. Situações inusitadas, passíveis de acontecer, num local onde as mulheres costumam estabelecer uma certa cumplicidade entre si. Esses são os elementos da peça Toalete, que esteve em cartaz no Recife nos dias 5 e  6 de abril, no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


          São sete atrizes e um ator que interpretam inúmeros personagens. “Que é corrido é, mas a gente acostuma”, revela Márcia Cabrita, que vive oito mulheres durante os noventa minutos de apresentação. Depois da sessão restrita a imprensa e convidados na sexta-feira (4), a expectativa da atriz era a melhor possível. “Eu espero que tenha público e que todos dêem muitas risadas. Por hoje, eu imagino que isso vá mesmo acontecer”, contou.


          Vera Mancini é a única que não precisa se preocupar com troca de figurino. Ela interpreta Dagmar, a funcionária do hotel que passa todo o dia ao lado da pia oferecendo comprimidos, água, absorventes e lenços de papel para as mulheres que passam pelo banheiro e funciona como uma espécie de elo entre todas as histórias. Renato Wiemer é quem mais se destaca no papel do faxineiro homossexual Nick, levando a platéia aos risos.


          Com direção de Cininha de Paula e um elenco cômico consagrado, a peça de Walcyr Carrasco proporciona exatamente o que se espera de uma comédia: passar o tempo e dar umas gargalhadas. Ainda assim, é possível uma pequena reflexão sobre a situação das diferentes personagens que desfilam pelo hall do banheiro feminino de um hotel de luxo, desde os funcionários até as mais distintas damas da sociedade – que, devido às condições, não aparecem tão distintas assim.