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Valores escassos na sociedade

 

Por George Carvalho


recomendadoteatro.jpg          Um boneco de madeira que, graças a uma fada, consegue andar e falar. Para se tornar um menino de verdade, no entanto, Pinocchio precisa ser honesto, íntegro. Esse é o maior sonho da ingênua criatura. E também do seu criador, o carpinteiro Gepeto. Para realizar esse feito, eles vão contar com a ajuda de um grilo falante, que faz às vezes de consciência e precisa se esforçar bastante para tentar colocar esse boneco na linha. A história de Pinocchio, do italiano Carlo Collodi, encantou crianças e adultos que lotaram o Teatro da UFPE este final de semana.


          Muita música e dança marcam o primeiro ato, que começa mostrando a solidão de Gepeto em meio a tantos bonecos que constrói. Até que um dia, seu sonho de ter um filho vira realidade. Preocupado com o futuro de Pincchio, que é vivido no espetáculo pelo ator Ivan Parente, Gepeto resolve mandá-lo à escola e orienta-o a não se desviar do percurso. Mas o conselho não é seguido. No caminho, um teatro chama a atenção do garoto-boneco.


          Depois de quase virar jantar de um gigante e ter que mentir um pouco para se safar da panela, Pinocchio consegue comover o vilão, que ainda lhe presenteia com cinco moedas de ouro. Movido pela avareza e pela ambição, e sob a má influência da raposa e do gato (interpretados com maestria por Rejani Humphreys e Adriana Fonseca, respectivamente), Pinocchio despreza a preocupação do grilo falante e ignora o fato de Gepeto o estar procurando incansavelmente. Enforcado, o boneco é salvo pela fada. Perguntado sobre o que lhe acontecera, ele mente e é quando seu nariz cresce. E cresce mesmo!


          O primeiro ato termina com a promessa de muita diversão na Burrolândia. No segundo ato, o recurso de narração das aventuras de Pincchio na fuga para não se transformar em burro de carga e na busca por Gepeto no mar, até chegar à baleia, se mostra pouco empolgante, principalmente para os pequenos – apesar da qualidade das imagens que são projetadas no telão. Já de volta em casa, o bom comportamento de Pinocchio merece ser recompensado: a fada reaparece e lhe concede o desejo de se tornar um menino de verdade.


          Sob a direção do argentino Billy Bond, responsável por outras adaptações da Broadway que já estiveram no Brasil, o espetáculo levou mais de um ano para ficar pronto e conta com mais de 110 profissionais. Figurino e iluminação apurados ajudam a construir a história que resgata alguns valores familiares e universais cada vez mais escassos numa sociedade onde crianças sofrem agressões por quem deveria protegê-las. Uma lição de conduta ética que começou a ser escrita por Carlo Collodi em 1881 e que ainda hoje, mais de duzentos anos depois, é capaz de reunir famílias inteiras – crianças, pais e avós – em torno de uma mensagem que vale a pena ser transmitida.