CineCrôica Recomenda     Comédias românticas que o roteirista dirige geralmente deixam a desejar por inúmeras razões. Trust The Man é um filme do gênero. Trust The Man não deixa a desejar. Totalmente Apaixonados é um longa que trata de um tema já saturado nos cinemas norte-americanos, apenas trocando os atores em questão e (um pouco) as piadas.

    Ainda assim, o filme é uma experiência interessante. Tom (David Duchovny) e Rebecca (Juliane Moore) são casados, dois filhos, vivendo problemas sexuais e frustração profissional por lado dele. Tobey (Billy Crudup) e Elaine (Maggie Gyllenhaal) são namorados há sete anos, ele, jornalista meninão, ela quer ser escritora, casar e ter um filho. Os clichês da trama são visíveis e as iminentes traições, rompimentos e perdões já são esperados.Totalmente Apaixonados

    Lisbela, em Lisbela e o Prisioneiro, diz que não importa saber ‘o que’, mas ‘como’ e ‘quando’ as coisas vão acontecer, e essa é a graça do cinema. Trust The Man enxerga esse prisma e investe na comédia fácil, com direito a referências sexuais e a crianças distribuindo pancadas em países baixos de seus pais. Difícil de acreditar, mas a lógica adotada dá um certo charme à obra, que provoca sorrisos discretos e maliciosos durante toda a exibição.

    O filme peca pela aposta no ramo ‘homem tenta reconquistar mulher’, mas a idéia faz com que Totalmente Apaixonados seja um daqueles filmes difíceis de não se gostar, ao mesmo tempo em que, após certo tempo, difícil de lembrar até do título, uma vez que se mantém na média, sem grandes inovações ou reviravoltas de enredo.

    Um orçamento de 9 milhões de dólares, bela fotografia (geralmente em closes) de Tim Orr e um lançamento ás vésperas de nosso Dia dos Namorados devem garantir um bom desempenho do filme nos poucos cinemas que o exibem. Uma boa pedida para assistir a dois, entretenimento certo.

“E o novato aí? Não fala nada?”

“Eu prefiro ficar só de ouvinte!”

“Isso é que é confiar!”

“Tom, isso é uma reunião anônima em que todos têm que compartilhar seus problemas.”

“É que… Bem… Eu tenho um problema… Sexual…”

“hmm”

“Eu… Só consigo ter um orgasmo se me cobrirem com frios…”

“Oh!”

“Geralmente… Presunto!”

“Hmm!”

“Em pequenas e finas fatiazinhas… a me enrolar!”

“Nós entendemos sua dor, Tom… E me passe esse sanduíche!”