CineCr�tica - Regular        Após a experiência de Jane Fonda com Jennifer Lopez que resultou em A Sogra, a Universal Pictures decidiu testar mais fórmulas semelhantes e chamou Lindsay Lohan para contracenar com a experiente e consagrada atriz em Georgia Rule. Para traçar a ponte entre as duas, uma das maiores vencedoras de prêmios dramáticos da atualidade: Felicity Huffman.

       Rachel (Lohan) é uma adolescente revoltada e sexualizada em demasia que é obrigada a passar as férias com a avó, Georgia (Fonda), intolerante tendo em vista que o relacionamento com sua mãe, Lilly (Huffman) se tornara insustentável. No centro dos acontecimentos está o drama da garota por supostamente ter sido alvo de algum tipo de violência sexual quando criança e da busca pela verdade, tendo em vista seu passado de mentiras e envolvimento com drogas.

       Garry Marshall assina a direção da obra que supostamente seria umaGeorgia Rule comédia romântica. Muito diferente de seu maior sucesso, Uma Linda Mulher, Georgia Rule não é romântico, mas cru. O drama que envolve as questões familiares que permeiam o cotidiano das personagens são amargos e incontroláveis, como toda real crise das vidas de sua audiência. A aproximação das personagens com a reação de seu público está justamente na inevitável tendência do indivíduo se colocar na situação e decidir quem deveria ser culpado ou perdoado e quem mente ou diz a verdade.

       Com um orçamento de 20 milhões de dólares e um elenco já popularizado na cultura americana, Ela é a Poderosa conta com o trunfo de ser, apesar disso, despretensioso. O riso ou o choro vem de forma natural, não sendo tão premeditado pelo roteiro quanto possa parecer.

       Reduzido em si próprio por sua sofrível campanha promocional, Georgia Rule perde algumas boas piadas para seu trailler e reduz a complexidade de sua trama às caras já tarimbadas em seus pôsteres de divulgação.

       No fim das contas, o filme passa por todos os clichês necessários ao gênero: brigas, reconciliações, amizades e paixões, mas peca no sentido de exagerar na naturalidade das personagens a ponto de que trechos que deveriam ser bem evidenciados acabam se perdendo no jogo de acontecimentos e possam passar despercebidos por boa parte do público que espera uma comédia fácil e objetiva.

 

 

Você quer falar pra mim sobre sobreviver? Eu te falo sobre o que é sobreviver. Eu sei o que é isso! Nossa! Você perdeu sua mulher e seu filho pequeno. É uma pena. Mas você não teve um padastro que você amava te molestando cada vez que você ia dormir e teve que lidar com isso todos os dias, Simon. Nós temos que superar as situações, mas não é preciso ficar com uma porra de uma expressão de tristeza permanente na sua cara!”