CineCrôica - Regular            Politicamente incorreto, O Homem Que Desafiou O Diabo chega às telas nacionais com expectativa gerada por sua ampla divulgação prévia e um trabalho de marketing digno de contemplação da Globo Filmes. Contando com o apelo do exótico, com o carisma de Marcos Palmeira e com a temática nordestina que sempre garante resoluções cômicas o filme é pretensioso e promete gerar bilheteria por um bom tempo.
            Zé Araújo é um comerciante itinerante que chega por acaso numa cidade do interior do Nordeste. Obviamente, para os moldes da Globo, mulherengo, se engraça com a filha do turco poderoso da cidade que o obriga a se casarem. A partir desse momento, Zé Araújo começa a passar por momentos de humilhação constante e infelicidade no O Homem Que Desafiou O Diabocasamento, até o dia em que vira piada pública e agride sua mulher e sogro antes de ir girar o mundo em busca de aventuras. Para isso, quer ser exatamente o contrário do que era antes, logo, usa seu nome ao contrário e torna-se Ojuara.
            No caminho, diversas histórias para contar, claro que sempre envolvendo uma mulher no meio, por vezes, seus maridos e, óbvio dinheiro. O Homem Que Desafiou o Diabo tem um bom tom de envolvimento com a audiência, apresentando um ritmo interessante para o gênero, mas as risadas são provenientes, em geral, mais dos vocábulos de baixo calão incansavelmente repetidos do que das situações propostas.

            O excesso de alegorias utilizadas acaba prejudicando o andamento do filme. Talvez para as pessoas do eixo Sul-Sudeste os vícios de linguagem do povo nordestino seja recorrentemente engraçado, mas o público do Nordeste pode se cansar de intermitantes (e intermináveis) “da gota serena” e “da peste”, além dos figurinos mais que sugestivos de uma sociedade menor e que provoca mais alarde.
            Os demais artifícios do filme se resumem, evidentemente, a sexo e violência, além do sotaque nordestino carregado. O longa peca na apelação justamente por subestimar personagens coadjuvantes que teriam mais a oferecer que a imagem de seus corpos, como é o caso de Flávia Alessandra, que poderia até ter ficado calada durante toda sua aparição, uma vez que o que compõe a lógica de suas cenas é a maquiagem em excesso e o vestuário em falta.
            Por outro lado, o longa acerta de mão cheia ao apropriar-se de literatura de Cordel para dinamizar diversas de suas passagens, valorizando, então, a real cultura do Nordeste, sem de fato denegrir sua imagem ou reduzi-lo a misticismos desenfreados e machismo violento dos ‘cabras machos do sertão’.

“Eu vou te poupar porque tu é doido. E de doido eu tenho pena!”
“Doido? Doido é o filho de uma égua que aceitou comer a puta que te colocou no mundo. Meu nome é Ojuara!”

Riu muito? “Oxente”, então comenta!