CineCrôica Recomenda           Impressionantemente barato, o todo high-tech Resident Evil 3 enche os olhos com computação custando apenas 45 milhões de dólares e se sagrando como a primeira trilogia oriunda de jogos de videogame do cinema. Milla Jovovich reaparece na pele de Alice, o projeto em evolução da Umbrella Corporation.
           No terceiro episódio da série, o Vírus T dominou o mundo, transformando quase toda a população em zumbis semi-vivos com fome de carne humana. Apenas alguns sobreviventes ainda resistem à infecção e, enquanto isso, Alice vaga na Terra desenvolvendo poderes telecinéticos e os líderes mundiais se refugiam no subsolo, em busca de proteção. A grande questão do longa gira em torno da busca de Alice pelo Dr. Isaacs (Iain Glen), que supostamente pode desenvolver um antídoto domesticador resident.jpgbaseado em seu sangue.
           Resident Evil 3 é um filme linear e compassado que provoca sustos esporádicos e bem vindos para a construção do ambiente proposto. Sem recorrer às técnicas mais clássicas de tomadas noturnas e barulhos de portas rangendo, o diretor Russell Mulcahy traz realidade à trama consagrada nos games, abusando da luz e das câmeras em movimento rápido que descrevem o ambiente ao mesmo tempo em que não perde a chance de detalhar trechos específicos de alta construção em CG exibidas em câmera lenta panorâmica.
           Nada se deve falar sobre as atuações e trilha sonora do filme, uma vez que para o roteiro apresentado isso é o que menos importa. Lançando mão de cenas de ação ininterruptas, por vezes em demasia, o longa não tenta cativas o público ou trabalhar a fundo os personagens, uma vez que põe em cheque que é a sobrevivência que está em jogo no momento.
           Apesar do exagero quantitativo de zumbis, recorrente no cinema que deseja impressionar, e da reutilização de diversos moldes situacionais dos episódios anteriores, Resident Evil 3 chega ao topo das bilheterias sem muitas dificuldades. Devido ao roteiro bem arquitetado, logicamente plausível, e milhares de fãs do gênero e do jogo, o filme se consagra como um bom entretenimento, ainda que abaixo de outras superproduções de 2007.
           Ainda que conte com outras estrelas e personagens memoráveis do jogo como Carlos e Claire (Ali Larter, de Heroes), o grande feito da produção não é baseado na concepção visual ou na possível correspondência da trama com a proposta do Playstation, mas a inserção do público na realidade apresentada, com câmeras estrategicamente posicionadas de forma a causar sensação in loco à audiência, que no mínimo provoca comentários do gênero “O que você faria se isso acontecesse ao seu redor?”, afinal, o medo imaginário é uma sensação ainda mais atrativa do cinema do que o ceticismo.

“Por que ele estava fazendo isso?”
“Porque ele tentava recriar seu sangue”
“Meu sangue?”
“Ele acredita que seja a solução do problema”
“Então quer dizer que eu posso pôr um fim em tudo isso?”

E aí? O que você faria? Comente