CineCrôica Recomenda             Colégio São Jorge, 3º ano, 1981, Rio de Janeiro. Temática? Claro! Vestibular! Sim, sexo, também. Sim, drogas, com certeza. Sim, definitivamente da Globo Filmes!
             Imaginar uma produção com adolescentes da Globo e não, necessariamente, compara-la com a infindável novela Malhação é praticamente impossível. Considera-la diferente e superior à mesma é improvável, mas quando um fruto cai longe de seu ‘pé’ somos contemplados com uma agradável surpresa.
             Sim, tratamos de vários clichês de época, repaginados em vários minutos de projeção, fato. Mas o diferencial, nesses momentos, é a sensibilidade em que a produção mergulha e os pequenos detalhes que podem determinar se o filme é mais uma obra descartável ou se, no fim das contas, tem um porquê de existir.podecrer.jpg
             Melissa (Fernanda Paes Leme) é uma menina a frente de seu tempo, despudorada e despretensiosa, amiga de Silvinha (Liliana Castro), jovem problemática, mas recatada, que ainda chora a perda de seu namorado Tavico (Marcelo Adnet). Tavico se afasta de seus melhores amigos e companheiros de banda PP (Sílvio Guindane), Marquinho (Gregório Duviver), que são loucos por Melissa, e João (Dudu Azevedo), que se interessa pela novata recém-chegada da França devido à anistia de seu pai Carol (Maria Flor), viciada em produção cinematográfica.
             Onde tem jovem, tem bebida, hormônios e rivalidades. O resto já sabemos. Vestibular, gravidez, competição, pileque, brigas, emprego, crescimento… O roteiro de Marcelo O. Dantas não traz grandes inovações, ainda incluindo o clássico elemento dos jovens que sonham em fazer sucesso com uma banda de garagem na trama. Porém, a direção sóbria do estreante Arthur Fontes faz a diferença. Com um direcionamento que mais parece uma brincadeira de prestar depoimentos de forma linear, permeado por tomadas que são propositalmente amadoras, dando a idéia de que tudo não passa de uma documentação real da vida de alguns jovens da classe média carioca.
             O lirismo do filme deixa a desejar e os personagens não têm espaço nem situações em tela suficientes para promover uma empatia com o público, mas o tom crítico e desleixado de seus discursos e a esperança infantilizada que guardam em seus trejeitos reavivam o ideal de uma sociedade mais pacífica e voltada ao futuro. Centrada em si  própria, bem verdade, mas provida de valores já deturpados em nossa realidade: amizades duradouras e compromisso com o amanhã.

“Bobeou na praça, Babilônia te abraça!”