CineCrtica - Regular           A segunda investida de Robert Zemeckis na área da animação impressiona pelo preciosismo de detalhes e por referências culturais exacerbadas que a primeira experiência, O Expresso Polar, não apresenta. Em A Lenda de Beowulf, o diretor ganha o reforço de grandes nomes do cinema em uma produção esmerada de 70 milhões de dólares: Angelina Jolie, Ray Winstone, John Malkovich e Anthony Hopkins são alguns dos nomes de peso da obra.
           Beowulf é um dos mais populares personagens da literatura, ainda que não seja tão conhecido em terras brasileiras, e já teve outras três representações cinematográficas em Hollywood (Grendel, Grendel, Grendel, Beowulf – O Guerreiro das Sombras e A Lenda de Grendel). Na história, Grendel (Crispin Glover) atormenta um vilarejo, até que Beowulf lenda-de-beowulf.jpg(Winstone) chega para matá-lo. O herói busca o demônio que deu origem ao monstro e acaba seduzido por sua forma feminina (Jolie), por isso, carrega a maldição de sua escolha.
           Nessa última montagem, pré-indicada ao Oscar de animação, os atores encenavam em frente a grandes telas de chroma, como foi feito em 300, com sensores de movimentos em seus corpos, que permitia a manipulação digital das imagens, como em Final Fantasy. A técnica polemizou a crítica de todo o mundo, uma vez que os atores realmente encenam e o computador se encarrega dos detalhes que compõem os cenários e fotografias apresentadas.
           Com grandes toques homoeróticos e referências sexuais incomuns em filmes do gênero, Beowulf marca pelo estilo milimetricamente contido em dar formas à obra, desde suas cenas de comédia, até seus momentos de ação, que ostentam um ritmo fixo, sem grandes variações entre as cenas. Contando com a competência dos estúdios de efeitos da Sony, a obra, produzida pela Warner, apresenta um alto primor técnico, marcado pela simplicidade.
           Se por um lado, a escolha de Zemeckis em brincar com os enquadramentos e imprimir um ritmo menos frenético aproxima a obra de uma realidade mais crua e sombria, por outro, essa mesma escolha não empolga tanto a audiência, ávida por maiores reviravoltas e lutas melhor coreografadas.
           Ainda assim, o toque mais frio e humano transmitido entre o mundo de fantasia de Beowulf é uma experiência interessante, diferente do que geralmente se faz. Vale a pena ressaltar, no entanto, que o filme não é, nem de longe, infantil, ainda que se trate de uma animação, o que restringiu vôos maiores da obra.

“Me responda. Você a matou?”
“…”
“Ela não é minha maldição. Não mais…”

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