CineCrôica - Regular           Imagine-se como um grande promotor de justiça, que agora atua limpando os nomes e sujeiras dos poderosos, viciado em jogatina, divorciado e com um empreendimento falido. Pense agora qual seria sua reação uma vez que seu grande amigo, deprimido e revoltado, ameace uma corporação multimilionária, cliente da empresa para a qual você trabalha. Dá para ficar pior?
           É nesse meio psicológico e social no qual Michael Clayton (George Clooney) está imerso e, sim, a situação piora quando assassinam seu amigo e tentam te matar. O mundo dos negócios e da justiça já é um terreno comum para o diretor Tony Gilroy, ainda que a direção não o condutaderisco.jpgseja, que assina o roteiro de Conduta de Risco, assim como o de Advogado do Diabo, dez anos antes.
           Com apenas 25 milhões de dólares e um roteiro simplista, a Warner traz às telas o campeão de indicações ao Globo de Ouro deste ano, cujo ponto forte se limita às atuações de seus integrantes e à edição do produto final, por sinal, feita em família, por John Gilroy.
           Ainda que o brilho de certos títulos impressionem, a obra não repete o feito à altura. Com um ritmo descompassado e lento, desprovido do apoio de grandes trabalhos sonoros, Conduta de Risco não instiga a audiência e Clayton definitivamente não cativa o público.
           Não tratamos aqui de um profissional que chega ao fundo do poço à la Jerry Maguire, muito menos de um indivíduo guiado por ambições pessoais aliadas à possibilidade de uma mudança de vida como Erin Brockovich. O que vemos é um ser amargo, que não ostenta grandes alterações de humor ou expressões, além da preocupação, e que é o estágio central do desfecho de uma história nem de longe tão bem arquitetada quanto a saga de Kevin Lomax em Advogado do Diabo.
           Conduta de Risco é um projeto voltado exclusivamente à crítica, sem a preocupação de agradar pelo bom entretenimento, mas por mostrar algo que, em geral, a maioria não percebe. Muitos discordam com a indicação de Clooney a Melhor Ator no Globo de Ouro, porém a mesma deriva da capacidade do ator em se manter estático, de corpo e de feições, por 120 minutos de exibição, alterando-se em pouquíssimos momentos de distinções ambientais, mesmo que sem demonstrar grandes sentimentos.
           O filme foi indicado ainda para melhor drama e melhores coadjuvantes na mesma categoria e é recomendado para aqueles curiosos que acompanham as grandes premiações cinematográficas, que se juntarão, nas salas de cinema de todo o país, a outros curiosos e a desavisados, muitos dos quais, poderão deixar a sala de projeção ou tirar um bom cochilo durante vários minutos…

“Eu sou um faxineiro, não um milagreiro”
“…[FONE]…”
“É ela, não é? É a Polícia”
“Não… Alô!… A polícia nunca liga antes”

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