CineCrôica - Regular       Mais um filme sob a temática da relação entre a política externa americana e a ética do trabalho, Rendition complementa os ideais apresentados por Leões e Cordeiros ou o Reino em 2007. Com uma história simples e não linear, Gavin Hood consegue apresentar o drama psicológico de perseguidor e perseguido em um único plano, evidenciando suas dúvidas e dores à medida em que a trama se desenvolve.
       Anwar El-Ibrahimi (Omar Metwally) está voltando aos Estados Unidos quando, já no aeroporto, é raptado por forças da Inteligência Americana que procuram descobrir informações sobre um atentado terrorista que matou um dos agentes da CIA, além de outros 17 civis. Encarregado desse tipo de interrogatório pela primeira vez, Douglas Freeman (Jake Gyllenhall) é atormentado pelos métodos nada humanitários que são aplicados para descobrir dados de El Ibrahimi, rendition.jpgenquanto, nos Estados Unidos Isabella Fields El-Ibrahimi (Reese Witherspoon), grávida e desesperada, tenta descobrir o paradeiro de seu marido, desaparecido há dias.
       Nada de muito palpável acontece durante os 122 minutos de exibição de O Suspeito, com exceção das aventuras de um jovem casal que vão de encontro aos costumes de sua terra natal islâmica para ficarem juntos e servem como elo entre todas as tramas paralelas que se desenvolvem na trama. Fora isso, a busca, por sua esposa, e o interrogatório de El-Ibrahimi não traz grandes cenas complexas, mas apostam alto no valor político intrínseco desse tipo de obra, questionando constantemente o conformismo dos americanos quanto às práticas de seu governo ao mesmo tempo em que enfraquece a postura rígida das autoridades da Inteligência.
       O roteiro bem marcado de Kelley Sane apresenta um ritmo desacelerado, mas cheio de emoções flutuantes que atingem ápices em pequenos momentos dramáticos, amplificados pelos grandes coadjuvantes apresentados, em especial, Meryl Streep como a mão-de-ferro Corinne Whitman, impassível diante de lágrimas ou intimidações. A fotografia sóbria e centralizada e a trilha sonora discreta complementam o contexto de medo e incertezas, próprio de uma sociedade vulnerável após eventos como o 11 de setembro, o que valoriza as intenções e resultados da obra em questão.
       Assim como semelhantes, O Suspeito não é voltado ao entretenimento mas à proposta de questionamentos críticos de uma audiência mediamente esclarecida, mas inteiramente interessada em descobrir as malícias presentes entre os atuais jogos de poder, resultantes da face material contra o básico sentimento de segurança.

“Por favor, não me dê as costas! Senhora Whitman, vocês têm o meu marido… Por favor, só me diga onde ele está. Só me diga que ele está bem!”